terça-feira, 4 de setembro de 2012

Recuperação da Praça Tiradentes traz à tona discussão sobre mudança de perfil da área




De dia, escritório; à noite, cabaré

O Globo, Ludmilla de Lima, 04/set

Do alto do seu cavalo de bronze, Dom Pedro I já viu acontecer de tudo um pouco na Praça Tiradentes. Em 150 anos, passaram, diante da estátua, Bidu Sayão criança; o maestro Carlos Gomes; os espetáculos do Teatro de Revista; os encontros na tipografia de Paula de Brito, que reunia grandes nomes da literatura brasileira, a começar por Machado de Assis; os últimos momentos de Chiquinha Gonzaga e as filas para entrar na Estudantina nos anos 1980. O monumento também testemunhou a praça mergulhar em decadência nas últimas décadas. E o que será que os olhos do imperador verão nos próximos anos? Recentemente revitalizada e sem os gradis que a separavam do povo, a Tiradentes agora busca nova vocação, que também pode representar um retorno ao passado glorioso. O empresário Armando José da Costa Dias, de 48 anos, diz que o comércio está meio perdido, e a praça sem um perfil definido. Ele representa nada menos que a terceira geração da família que comanda a sapataria Tic Tac, na Tiradentes desde 1919.
- Estamos num período de transição - explica Armando diante da promessa de novos investimentos para a praça, que incluem um cabaré voltado para o Teatro de Revista e até um hotel cinco estrelas (o primeiro do Centro do Rio). - É preciso que a circulação volte à praça. Perdemos gente com a retirada dos pontos de ônibus. Mas isso pode ser compensado com a vinda de novos empresários.
O anúncio da ocupação de alguns edifícios históricos, hoje malconservados, parece trazer ânimo para quem já aposta na praça há tempos. Isnard Manso, presidente da associação Polo Novo Rio Antigo e fundador do Centro Cultural Carioca, continua acreditando na área: há um ano, ele abriu o Gaspar, bar e braseiro que hoje ajuda a movimentar a região também à noite. O negócio funciona próximo ao Teatro João Caetano, num casarão de três andares que também abriga a companhia de dança de Isnard.
- A praça está à espera de empresários mais audaciosos, que ajudem a mudar a ocupação do local - afirma Isnard, que defende incentivos fiscais para atrair novos empreendimentos.
Cabaré de R$ 1 milhão deve ser aberto em 2013
Ele é do time que acredita na velha praça - a dos teatros, cafés e restaurantes, movimento que teve seu apogeu no século XIX. O empresário Plínio Fróes, do Rio Scenarium, abrirá, no fim do ano que vem, um cabaré na Tiradentes, voltado para o Teatro de Revista e com papel também de casa noturna. O negócio abrangerá dois casarões interligados, que já tiveram suas fachadas recuperadas. As obras, que incluem refazer toda a parte interna, praticamente em ruínas, custarão R$ 1 milhão.
- Não vamos repetir nenhuma receita do que fizemos até hoje e vamos evocar o passado da Praça Tiradentes. Para isso, nada melhor do que desenvolver a vocação da praça no passado, que era dos cabarés e do Teatro de Revista.
O empresário ainda adquiriu um terceiro imóvel, que ele pretende usar para eventos fechados. Mas o mais novo investimento anunciado é o da transformação do Hotel Paris num cinco estrelas. Para repaginar o antigo ponto de prostituição, os irmãos François-Xavier e Jacques Dussol gastarão R$ 10 milhões. Perto dali, o Centro de Referência do Artesanato, do Sebrae, prepara-se para expandir sua área para o Solar do Visconde do Rio Seco, a mais antiga construção da praça (do final do século XVIII), tombada pelo Iphan, e há anos desocupada pelo estado. Numa estimativa do Sebrae, que tem agora a concessão do endereço, serão gastos R$ 50 milhões nas obras de recuperação, que começam no ano que vem e ficam prontas para a Copa de 2014.
A vida noturna na Praça Tiradentes tende a ganhar novas opções e público, mas a vontade da prefeitura é que a característica da área seja a mais diversa possível. Animado com o projeto do Sebrae, o arquiteto Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, diz que o município trabalha para que a noite não sejo o principal atrativo. Para ele, a recente instalação de dois escritórios de design e um de advocacia contribui para essa linha.
- A gente não pode deixar que a Praça Tiradentes reproduza o modelo da Lapa, onde a setorização noturna traz muitos problemas de gestão urbana e afasta a população fixa. A praça tem potencial de manter a diversidade de usos, de atrair mais gente para morar, além de empresas e comércios - diz Fajardo.
Marcos Corrêa, diretor do Espaço Acústica - endereço que promove festas há dois anos e que hoje realiza um debate, às 18h, sobre o futuro da Tiradentes e da Lapa -, afirma que a área tem potencial para se unir à Rua do Lavradio e atrair negócios no campo da cultura. Para ele, é preciso que a Tiradentes seja ocupada, especialmente à noite:
- Hoje é impossível fazer qualquer coisa na Praça Tiradentes numa quarta - diz Corrêa, que, aos poucos, vê os ambulantes invadirem a praça nas noites de festa, na falta de estabelecimentos noturnos.
Uma coisa é certa: independentemente de quem chegue, o novo e o antigo serão vizinhos. A começar pela Estudantina, cujo fantasma do despejo foi afastado com o tombamento. A casa continuará mantendo a tradição das gafieiras na praça, enquanto o João Caetano e o Carlos Gomes preservarão a dos teatros. Este último passa por uma restauração, que custará R$1,7 milhão ao município. Segundo o secretário municipal de Cultura, Emílio Kalil, o público ganhará a fachada de volta, hoje ocupada pelos banners dos espetáculos:
- A fachada é totalmente descaraterizada a cada espetáculo. Isso não vai ser mais possível. Vamos instalar um grande painel de LED, mais fino e adequado, que possibilitará a leitura dos espetáculos.
Na última sexta, a Orquestra Tabajara se apresentou na praça. Na próxima, haverá um baile com o Cordão da Bola Preta. Kalil conta que a mudança de dia foi estratégica:
- No domingo, se faz sol, as pessoas não vão até o Centro. Sábado é mais de programas em bares e restaurantes. Fazer o projeto no início da noite de sexta cria uma agitação, um grande happy hour.
Assim como os espectadores dos teatros e os amantes da música, os jogadores de sinuca ainda têm seu espaço na praça. O Bilhares Guanabara, por onde circularam grandes jogadores, mantém sua tradição, só com um detalhe novo: o almoço a quilo durante a semana, e a feijoada aos sábados. O aposentado Afonso Thiago, de 74 anos, bate ponto no bilhar nas tardes de quinta, quando revê os amigos .
- A praça não mudou nada, só tiraram as grades - comenta.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Crédito imobiliário ganha mais agilidade




Folha de São Paulo, Mariana Sallowicz, 12/ago

O forte crescimento do crédito imobiliário durante os últimos anos fez com que os bancos concentrassem esforços para reduzir a burocracia nessas operações, que estão entre as mais complexas do sistema financeiro. O total financiado com recursos da poupança aumentou quase 45 vezes entre 2002 e 2011, quando chegou a R$ 79,9 bilhões, de acordo com dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). A previsão é encerrar este ano com R$ 95,9 bilhões.

As instituições discutem o registro eletrônico e a padronização dos contratos.

"A ideia é transmitir, por meio de um sistema, o contrato para o cartório, que o devolve da mesma forma", diz Octavio de Lazari Junior, presidente da Abecip.

Assim, o comprador não precisará levar o documento pessoalmente até o cartório, esperar dias para que seja feito o registro na matrícula do imóvel e depois voltar ao banco com os papéis.

Após a mudança, a previsão é que essa etapa seja cumprida em uma semana -o prazo médio hoje é de 30 dias. As discussões sobre a alteração tiveram início no ano passado, mas ainda não há prazo para a entrada em vigor.

O presidente da Arisp (Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo), Flauzilino Araújo dos Santos, diz que o maior entrave é a necessidade da assinatura eletrônica dos envolvidos.

"Estamos avaliando a possibilidade de somente o banco assinar eletronicamente. Faríamos a mudança na escritura com base no documento enviado por ele", diz.
Há, no entanto, que ser estudada a validade jurídica dessa operação.

Os bancos querem também padronizar os contratos, para viabilizar o registro eletrônico. "Com um único formato nos contratos, ficará mais fácil a transmissão dos dados", diz Lazari Junior.

MUDANÇAS

O prazo e o número de documentos pedidos para o financiamento vêm caindo, segundo a Abecip. Há cinco anos eram solicitados cerca de 45 documentos. Atualmente, a média é de dez itens -há variações por instituição.

Em relação ao tempo de aprovação após o envio dos papéis, os bancos estimam uma média de 15 dias, ante os 60 dias de 2007.

Apesar das melhoras, os mutuários ainda reclamam da burocracia. O empresário Adiel Henrique, 38, quase perdeu a compra de um imóvel por causa da demora na aprovação do crédito.

Contando com o dinheiro que receberia, o vendedor atrasou três prestações de outro apartamento. "O meu crédito foi rejeitado por causa da dívida dele, que era com o mesmo banco", lembra.

O empresário precisou recomeçar todo o processo de aprovação do financiamento em outra instituição, que disponibilizou os recursos com mais agilidade. "Corri o risco de perder o negócio porque o vendedor voltou a colocar o apartamento à venda."

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

TIJUCA E VILA ISABEL - VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA

 
 
 
Os bairros da Tijuca e de Vila Isabel, na zona Norte do Rio, vivem uma ''disputa'' de preços dos imóveis desde 2010. Com características similares, o valor do metro quadrado vem se elevando em ambos, e a valorização ficou em 130,7% e 131,2%, respectivamente. Segundo Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi/Rio, contribuiu para isso a instalação de UPPs na região. ''O público da Tijuca, que tem melhor infraestrutura, também se dispõe a pagar um pouco mais'', frisa.

Estabilização

A maior diferença percentual (36,29%) ocorreu em março de 2010, quando o valor do metro quadrado chegou a R$ 2,629, na Tijuca, e a R$1,929 no bairro vizinho. Hoje, esses valores estão em R$ 5,670 e R$ 4,617. A tendência agora é de acomodação de preços.
 
 
 
 
Jornal do Commercio, Marcia Peltier, 10/ago

Os 10 bairros onde o aluguel mais subiu no Rio de Janeiro.

1. Centro

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: 85,1%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 29,43

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 15,90

Motivações da valorização: Segundo Leonardo Schneider, o Centro era uma região preterida pela população, mas voltou a ser procurada depois do início de alguns projetos de revitalização. "Com toda a movimentação na região e com o projeto Porto Maravilha (de revitalização da área portuária) o Centro volta a ser procurado. E também, com as complicações no trânsito, as pessoas estão buscando moradias na região para facilitar o acesso ao trabalho", comenta.

2. Méier

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: 42,1%
Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 16,47

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 11,59

Motivações da valorização: Segundo Schneider, a zona norte no geral e o bairro do Méier em particular foram bastante beneficiados pela política de pacificação das favelas. Agora é mais seguro morar na região. "O bairro está sendo revitalizado e tem recebido diversos empreendimentos imobiliários. Hoje há uma quantidade considerável de imóveis", diz. Ele também conta que o aumento da renda da população tem pressionado o crescimento da procura por aluguéis no tradicional bairro da Zona Norte carioca. "O Méier é uma boa alternativa para quem ainda não consegue morar nas regiões mais nobres por ter um bom custo-benefício", explica.

3. Vila Isabel

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: 28,4%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 21,87

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 17,04

Motivações da valorização: Conforme explica o vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi Rio, o endereço da boemia na Zona Norte do Rio era muito traumatizado pelo tráfico de drogas no Morro dos Macacos. Com a pacificação da comunidade, o bairro de Noel Rosa voltou a ser valorizado. "É uma região muito próxima à Tijuca, muito bem localizada. Antes da pacificação, o valor do metro quadrado era baixo, e o bairro vivia em um completo abandono em matéria de investimentos imobiliários. Mas agora Vila Isabel vem sendo revitalizada", diz Schneider.

4. Jacarepaguá
Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: +21,9%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 17,63

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 14,47

Motivações da alta: O bairro de Jacarepaguá, segundo Leonardo Schneider, tem alguns dos mesmos atributos que a Barra da Tijuca, mas é mais econômico. "Jacarepaguá fica na mesma reta que a Barra da Tijuca, mantém os padrões de empreendimentos da Barra, mas é uma opção com preços mais baixos", diz. Ele também acrescenta que a região está aquecida por causa de projetos da Copa do Mundo e das Olimpíadas que estão sendo realizadas na Zona Oeste da cidade.

5. Lagoa

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: +19,7%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 53,74

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 44,90

Motivações da valorização: "A Lagoa é um bairro muito central do Rio e tem um belo visual e alta qualidade de vida", explica Leonardo Schneider. Ele atribui a valorização do bairro de alto padrão da Zona Sul carioca ao fato de a região ser tão agradável quanto Leblon e Ipanema e ainda assim ter valores de aluguéis mais baixos.

6. Tijuca

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: +18,9%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 25,37

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 21,34

Motivações da valorização: A Tijuca, assim como os outros bairros da Zona Norte nesta lista, é outro caso de região beneficiada pela instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do bairro. "A Tijuca é cercada por morros e comunidades. Com a pacificação, o bairro ficou mais valorizado. É um bairro muito tradicional da cidade e tem as vantagens de ter bastante opção de comércio e acesso ao metrô", explica o vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi Rio.

7. Barra da Tijuca

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: +18,8%
Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 35,04

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 29,50

Motivações da alta: A valorização dos aluguéis na Barra da Tijuca pode ser explicada sobretudo pelo fato de o bairro da Zona Oeste ser um dos mais contemplados pelos investimentos relacionados à Copa do Mundo e às Olimpíadas, segundo Leonardo Schneider. "Diversos projetos estão previstos para o bairro, como os projetos de transporte. É o caso da nova linha do metrô, que ligará a Barra à Zona Sul da cidade, e alguns outros projetos que já chegaram, como o BRT, linha expressa de ônibus já em funcionamento que liga a Barra ao bairro de Santa Cruz. A região vive uma pujança econômica muito grande", comenta.

8. Gávea

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: +18%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 49,88

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 42,27

Motivações da alta: De acordo com Leonardo Schneider, o bairro de alto padrão da Zona Sul é bem localizado, e agrada por ter opções de comércio e um shopping center. "É um bairro que também tem muitos artistas e formadores de opinião. Tudo isso acaba gerando maior procura pelo bairro e o torna uma alternativa à região do Leblon", afirma.

9. Leblon

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: 17,3%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 61,39

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 52,33

Motivações da valorização: De acordo com os dados do Secovi, o bairro da Zona Sul teve o maior preço médio do metro quadrado do aluguel em julho. Para Scheneider, a valorização do Leblon está muito associada a uma questão de status do bairro. "O preço do metro quadrado no bairro é muito alto, hoje é o carro-chefe do Rio de Janeiro. Todo mundo que tem dinheiro quer morar no Leblon. O bairro tem bons restaurantes, praia, segurança, opções de lazer e morar lá é uma questão de glamour", avalia.

10. Ipanema

Variação do preço do m² entre julho de 2011 e julho de 2012: 16,3%

Preço médio do metro quadrado em julho de 2012: R$ 60,57

Preço médio do metro quadrado em julho de 2011: R$ 52,33

Motivações da valorização: Assim como Leblon, a vizinha Ipanema é um bairro mais voltado a pessoas com um padrão de renda mais elevado, segundo Schneider. "Ipanema é um bairro com comércio, muito tradicional, voltado a um público mais despojado, e muitos estrangeiros têm buscado locações no bairro, o que contribui para a valorização dos aluguéis", justifica o vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi Rio.

 


Exame online, 09/ago

Secovi Rio: urbanização deve ser prioridade

O próximo prefeito do Rio de Janeiro deve focar na urbanização de áreas na periferia. A afirmação é do presidente do Sindicato da Habitação do Estado do Rio de Janeiro (Secovi Rio), Pedro José Wähmann, que, em visita ao Jornal do Commercio, falou a respeito do caderno de intenções do segmento imobiliário elaborado pela organização e entregue aos candidatos a prefeito. Segundo ele, a urbanização dessas regiões e posterior integração ao restante da cidade por meio da rede de transporte público cria oportunidades para o setor imobiliário.

"Há regiões no Rio com potencial para gerar habitações de nível adequado para populações de rendas mais baixas, para famílias das classes C, D e E", afirmou o executivo, citando bairros no entorno da Avenida Brasil que já estariam bem integrados ao sistema de transporte. "Precisa-se cuidar da urbanização dessas áreas para estimular a chegada de novos empreendimentos de qualidade."

Segundo o presidente, o objetivo do sindicato ao entregar os documentos aos candidatos é manter aberta a linha de comunicação com a Prefeitura. Além do estímulo à urbanização de áreas degradadas, o executivo cita como prioridade a preservação do parque histórico do Rio e reformas nas legislações para o setor imobiliário, reduzindo impostos no nível municipal.

Além da área no entorno da Avenida Brasil, Wähmann aponta a Zona Portuária como um local onde habitações teriam boa receptividade. O executivo argumenta que o Centro é um dos poucos no mundo sem área habitacional de tamanho correspondente ao seu número de trabalhadores. "Na área de revitalização do porto, a parte que for reservada para habitação terá uma aceitação muito grande pelo mercado", avaliou.

Apesar de esperar um movimento de moradores de outras regiões para o Centro, Wähmann não acredita, porém, em especulação imobiliária. "Todos os terrenos já estão mais ou menos comprometidos dentro do Plano Piloto", disse.

O executivo avalia também que o preço dos imóveis no Rio deverá se manter estável, por conta de maior cautela por parte das construtoras e dos compradores. A época de elevação acelerada no preço dos imóveis, de acordo com ele, estaria chegando ao fim.

"O Rio ficou por muito tempo estagnado, sem novos empreendimentos. O que ocorreu nos últimos anos foi uma grande recuperação nos preços", afirmou, descartando a possibilidade de bolha imobiliária.

Outro problema enfrentado pelos cidadãos fluminenses, o atraso na entrega de empreendimentos por parte das construtoras, também estaria perto de ser solucionado. Na opinião de Wähmann, o que houve foi um descompasso entre o número de lançamentos de unidades habitacionais e a capacidade da mão de obra em executar o que foi prometido. De acordo com ele, com a diminuição no ritmo dos lançamentos, a adequação da situação deve se dar em um ano e meio.
 
Jornal do Commercio, 10/ago

sábado, 21 de julho de 2012

Governo confirma hangar na Lagoa


Chefe da Casa Civil diz que licitação para base de helicópteros sai este ano
Parte do terreno onde funcionava a academia de ginástica Estação do Corpo, na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, vai mesmo receber um hangar com capacidade para até cinco helicópteros. A ideia, confirmou nesta quinta-feira o secretário-chefe da Casa Civil do estado, Regis Fichtner, é usar 20% da área de 18 mil metros quadrados para construir abrigos adequados para aeronaves da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Segundo Fichtner, os outros 80% do terreno serão repassados à prefeitura do Rio que construirá um um parque para atividades radicais.
O secretário disse que a Polícia Civil vai licitar a construção da estrutura ainda este ano e garantiu que o novo espaço destinado aos helicópteros não vai aumentar o número de pousos e decolagens no local:
- Na Lagoa já funciona um hangar do estado com uso da Polícia Civil e dos Bombeiros. É um importante ponto de operações para a proteção da cidade - justificou Régis Fichtner. - Estamos com a necessidade de aumentar esta utilização. Em contrapartida, vamos devolver à população uma enorme área. O novo hangar vai receber o mesmo número de helicópteros que já temos hoje. Muitos estão ficando ao relento, o que é muito ruim para a conservação. Apenas vamos dar mais espaço e a preservação adequadas às aeronaves.
A informação da construção do novo hangar foi antecipada pela coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO de segunda-feira. O projeto vem sendo criticado por associações de moradores e pelo movimento "Rio Livre de Helicópteros sem Lei", que marcaram para sábado, às 11h, um ato contrário à expansão dos voos de helicóptero da Lagoa. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou nesta quinta que só vai se pronunciar quando receber o projeto.




O Globo, Emanuel Alencar, 20/jul