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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

É a hora de a frente marítima da Praça Quinze e da Região Portuária aparecer

O Globo, 11/dez

A vista do Centro e do Porto para a Baía, escondida desde os anos 1960, está totalmente livre com a derrubada, ontem, dos dois últimos pilares da Perimetral. Com o fim definitivo da Perimetral, é a hora de a frente marítima da Praça Quinze e da Região Portuária aparecer. Ao concluir ontem a retirada dos dois últimos pilares, na altura do 1º Distrito Naval, a concessionária Porto Novo deu por encerrado o processo de derrubada dos 4.750 metros do elevado, liberando totalmente a visão de um pedaço do Rio que estava oculto desde a década de 1960. Prédios históricos e belos já podem ser apreciados, não importa se o admirador está na Baía de Guanabara ou em terra firme. Agora, o trabalho de mudança de paisagem se concentra na construção de um passeio público, com três quilômetros de áreas verdes e de lazer, da Praça Quinze ao Armazém Oito.

O futuro boulevard dará, inclusive, acesso a espaços pouco conhecidos. É o caso, por exemplo, do charmoso calçadão que será implantado em frente ao 1º Distrito Naval. E, para que pedestres e ciclistas não precisem interromper a caminhada, será criada uma passarela sob a ponte que leva até a Ilha das Cobras - de acesso restrito da Marinha. Em formato de bumerangue, a estrutura terá cerca de 90 metros de extensão.

- Os transtornos têm sido grandes. Sem a Perimetral e com tantas obras, tenho enfrentado engarrafamento quase todos os dias. Mas, quando se vê essa nova paisagem e se pensa no futuro, entendo que vale a pena ter paciência por um tempo - avalia o contador Nilson Pereira, morador de Niterói, que trabalha no Rio.

Para a vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Cêça Guimaraens, o fim definitivo da Perimetral traz benefícios à região, principalmente nas áreas arquitetônica e urbanística. - A derrubada do elevado devolve a imagem da orla da Baía de Guanabara a moradores e frequentadores do local. A Perimetral impedia a visão da baía, o que era lamentável. Ela segregava a faixa da orla, separando a cidade construída da água - diz ela, que faz parte do conselho consultivo do patrimônio cultural do Iphan. Cêça enfatiza a importância do mar para o Rio: - Na dimensão urbanística, o fim do elevado é de um valor ímpar, pois dá continuidade do uso da orla, desde o Aterro do Flamengo, passando pela Praça Quinze e pela Praça Mauá até chegar à Avenida Francisco Bicalho. Em termos de arquitetura, vamos usufruir muito mais da visão da Candelária, por exemplo, sem falar nas edificações pré-modernistas e ecléticas localizadas na Zona Portuária.

Nas contas da Porto Novo, foram abaixo 85 mil toneladas de estrutura em concreto armado, sendo 4.420 de aço. As 820 vigas e os 135 pilares do elevado, portanto, passaram a fazer parte do passado.

- Como os dois últimos pilares estavam muito próximos à Baía de Guanabara e a um pórtico da Marinha, que é preservado, tivemos que usar um método especial para cortar o concreto. Em vez de um rompedor hidráulico, utilizamos fio diamantado. Isso para que não houvesse queda de fragmentos - explica José Renato Ponte, presidente da Porto Novo, responsável pelas obras de revitalização da Região Portuária. - O trabalho também foi feito fora do expediente, à noite e de madrugada, para não atrapalhar o funcionamento da Marinha.

OBRAS DO PASSEIO VÃO COMEÇAR NA PRAÇA QUINZE

Para José Renato, a demolição da Perimetral foi dos maiores desafios das obras do Porto Maravilha. Mais de 500 funcionários participaram da operação, que envolveu duas grandes implosões, a primeira delas - o trecho que ia da Avenida Pereira Reis à Rua Silvino Montenegro - há pouco mais de um ano. A segunda implosão ocorreu em abril deste ano, no trecho entre os prédios da Polícia Federal e do 1º Distrito Naval. O processo, no entanto, começou em outubro de 2012, com a remoção da primeira rampa do elevado, na altura da Avenida Barão de Tefé.

Alberto Gomes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), gestora da prefeitura na Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha, também fala em desafios:

- A conclusão da remoção da Perimetral marca o fim de uma fase cujo desafio foi muito mais a quebra de paradigma do desenvolvimento urbano da cidade do que de engenharia. Agora, durante a remoção, já iniciamos a segunda etapa da operação, que é refazer a infraestrutura e a urbanização de toda essa frente marítima da cidade. O processo muda em definitivo o padrão de mobilidade urbana do Centro.

Em relação a dois vãos do elevado junto à Rodoviária Novo Rio, o presidente da concessionária Porto Novo diz que eles não fazem parte do projeto inicial do Porto Maravilha:

- Estão sendo feitos estudos que vão dizer se eles permanecem ou não. Eles só serão retirados se for constatado que será melhor para o trânsito.

Já as obras de reurbanização estão em andamento no trecho do boulevard em frente ao futuro Museu do Amanhã, na Praça Mauá. E, em breve, começarão na área junto ao Museu Histórico Nacional, na Praça Quinze, diz o presidente da Porto Novo.

José Renato confirmou que as obras do Porto Maravilha estarão prontas a tempo das Olimpíadas. A Via Binário - que ligará a Região Portuária ao Centro - deverá estar totalmente concluída no fim deste ano. Paralela à Via Binário e no lugar da Perimetral, a Via Expressa, que vai ligar o Aterro à Rodoviária Novo Rio, ficará para 2016.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Do Porto para o Anil

O Globo, 24/nov

A Vila de acomodações das Olimpíadas é transferida do Porto para conjunto do Minha Casa Minha Vida no Anil, A vila de acomodações das Olimpíadas de 2016, prevista para ser construída na Zona Portuária, atravessou a cidade e está sendo erguida pela prefeitura a 25 quilômetros de distância no bairro do Anil, na Baixada de Jacarepaguá. Batizada de Vila Carioca, o empreendimento terá 66 prédios de cinco andares, num total de 1.320 unidades habitacionais de 45 metros quadrados cada. Com 2.640 quartos, é a maior das cinco vilas que serão usadas durante os Jogos. No total, os cinco complexos terão 8.314 quartos destinados aos árbitros, jornalistas e à força de trabalho da Rio 2016.

Os prédios estão sendo construídos dentro do programa Minha Casa Minha Vida, num terreno de 43 mil metros quadrados na Estrada do Engenho d'Água, desapropriado pela prefeitura por R$ 19 milhões. Na área, funcionava parte de um antigo centro de distribuição de bebidas. Após os Jogos, os apartamentos serão destinados a moradores retirados de áreas de risco e de locais onde obras públicas de infraestrutura exigiram remoções. No Anil, a obra segue em ritmo acelerado: quatro apartamentos são montados diariamente. Enquanto isso, no Santo Cristo, o projeto Porto Vida Residencial entra no sexto mês de obras paradas. Retirado do projeto olímpico, ele segue sem data para ser retomado, transformado num esqueleto de concreto.

Já no terreno no Anil, o entra e sai de caminhões é frenético. Cerca de 200 operários trabalham no local, e a previsão é que sejam 450 em janeiro, quando deverá começar o pico da obra, com oito apartamentos montados por dia. O objetivo é que os prédios, que deverão custar R$ 99 milhões, fiquem prontos até novembro de 2015, para serem entregues ao comitê organizador dos Jogos. Na semana passada, três deles estavam com as estruturas prontas para receber os telhados e acabamentos internos. Um quarto bloco estava no terceiro pavimento.

A imensa área é delimitada pela Estrada do Engenho D'Água, pela Avenida Canal do Anil e pela Estrada de Jacarepaguá. Para chegar à Barra, os caminhos possíveis são, por um lado, a Avenida Geremário Dantas, a Linha Amarela e as avenidas Ayrton Senna e Embaixador Abelardo Bueno. Por outro, as estradas de Jacarepaguá e do Itanhangá, passando por dentro de Rio das Pedras e saindo na Barrinha. A pouco mais de um ano e meio dos Jogos, as ruas e avenidas que contornam a área da vila são estreitas e muito movimentadas. E o Canal do Anil não é uma visão agradável. Ele exala forte odor de esgoto. O assoreamento e a poluição do canal são evidentes.

PAES: CRITÉRIOS ECONÔMICOS

O prefeito Eduardo Paes argumenta que a troca da Zona Portuária pelo Anil obedeceu a critérios econômicos e urbanísticos. No Porto, diz ele, o comitê Rio 2016 teria que pagar ao consórcio construtor uma taxa de uso pelas instalações, que ficariam reservadas aos Jogos por meses, sendo entregues aos proprietários apenas em 2017. No Anil, esse aluguel não seria necessário, uma vez que o condomínio do Minha Casa Minha Vida já estava nas previsões da prefeitura para receber moradores hoje em regime de aluguel social.

- O terreno já estava desapropriado. A área escolhida está degradada e precisa de investimentos. Ao levar a vila para lá, isso obriga o município a fazer investimentos em acessos, por exemplo. A ideia é trazer melhorias para uma área da cidade que não está resolvida. O Porto já está resolvido urbanisticamente. Não precisa mais de indutor governamental para deslanchar - afirma Paes.

Em 2010, interessado em levar para o Porto um empreendimento que ajudasse, pela envergadura, a ancorar novos empreendimentos para a região, Paes convenceu o Comitê Olímpico Internacional a aprovar a construção de parte das vilas de acomodações num terreno conhecido como Praia Formosa, atrás da Rodoviária Novo Rio. Batizado inicialmente de Porto Olímpico, o residencial foi alvo de um concurso de projetos, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). O projeto vencedor previa sete prédios, com 1.333 apartamentos. Um dos edifícios teria 40 andares e seria o residencial mais alto do Rio. Este ano, já sem a chancela olímpica, as obras foram paralisadas em junho. A construtora Odebrecht informou, por intermédio de sua assessoria, que ainda não tem data para retomar as obras, que passam por readequação financeira.

- Lá atrás, quando decidimos levar a vila para o Porto, ainda não tínhamos viabilizado a operação urbana consorciada que está permitindo a revitalização. A gente precisava de indutores, de projetos catalizadores. Mas hoje, o Porto não precisa mais desse ativismo estatal. Construir no Anil tem mais impacto em termos de legado para a cidade. Já soubemos que uma construtora quer erguer um shopping ao lado da vila no Anil - acrescentou o prefeito.

Segundo o secretário municipal de Habitação, Pierre Batista, embora o projeto da vila tenha sofrido modificações, o cronograma de entrega do conjunto até o fim de 2015 será mantido. Pierre admite que o serviço, que começou em agosto passado, está sendo ligeiramente acelerado para caber no prazo olímpico:

- Está tudo dentro do cronograma. A obra será feita em 14 meses. Normalmente, um conjunto habitacional desse tamanho fica pronto em 16 ou 18 meses. Mas o Parque Carioca, por exemplo, na Estrada dos Bandeirantes, que recebeu o pessoal da Vila Autódromo, entregamos em 12 meses.

Enquanto as melhorias urbanísticas no entorno do terreno do Anil continuam no plano das ideias - segundo a Secretaria municipal de Obras, as intervenções estão sendo planejadas - na área da obra, a Riourbe começa a erguer uma creche, uma escola e uma Clínica da Família. As unidades escolares terão capacidade para 1.140 crianças A previsão é que os equipamentos públicos estejam prontos em dezembro de 2015.

UNIDADES OFERECIDAS POR R$ 500 MIL

Das outras quatro vilas de acomodações que já estavam previstas, três são empreendimentos de alto padrão, com 4.450 apartamentos de 51 a 157 metros quadrados e clubes de serviços. Elas estão sendo construídas pela iniciativa privada, no Camorim e no Pontal, na Zona Oeste. Em páginas especializadas na corretagem de imóveis na internet, as unidades estão sendo vendidas a partir de R$ 500 mil. A entrega dessas obras está estimada para dezembro de 2015. A quarta será a Vila Verde, com 1.224 quartos, construída para os Jogos Mundiais Militares de 2011, dentro do Complexo Esportivo de Deodoro. Ela será aproveitada nas Olimpíadas.

Das cinco vilas, quatro serão usadas para abrigar parte dos 25 mil jornalistas credenciados, além dos árbitros das competições, o staff da Rio 2016 e funcionários que trabalharão nas instalações olímpicas. Todas as vilas oferecerão serviços de hotéis três estrelas e os valores de hospedagem seguirão esse padrão. Enquanto a pressa dita o ritmo no Anil, no Santo Cristo a única movimentação de obra é ao lado do esqueleto do Porto Vida, no hotel Holiday Inn Porto Maravilha, com 594 quartos. Iniciada em janeiro, a construção está com 40% das estruturas concluídas. Nos Jogos, até 90% dos quartos serão colocados à disposição do Comitê Rio 2016.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Saem os tapumes e começa a surgir a nova orla do Centro

O Dia, 06/nov

À medida que os vestígios da Perimetral desaparecem, a paisagem da futura orla do Centro se descortina e os cariocas começam a ter noção de como ficará a área após as obras. Quando tudo estiver pronto, será possível caminhar, à beira-mar, desde a Praça 15 até o Pier Mauá, onde será construído o Museu do Amanhã. A primeira parte deste passeio será inaugurada já no primeiro semestre do ano que vem.

"Até junho de 2015, entregamos o trecho da Praça Mauá até a ponte da Ilha Fiscal", prevê o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), Alberto Silva. Toda a frente marítima da região, no entanto, só estará concluída até meados de 2016, lembra ele.

A extensão total do passeio, que começa no Museu Histórico Nacional e vai até o Armazém 8, na Zona Portuária, é de 3,5 quilômetros. Um pouco mais de um quilômetro fica ao lado da Baía de Guanabara. O restante segue pelo Boulevard da Rodrigues Alves, que só deverá ficar pronto no início de 2016. "Neste trecho, teremos ainda de colocar os trilhos do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e toda a infraestrutura subterrânea", conta Silva.

Na outra ponta, da Ilha Fiscal à Praça 15, a inauguração deve ocorrer no segundo semestre de 2015, já que depende da conclusão dos túneis da Binário e da Via Expressa, que se conectará ao Mergulhão. Na Praça da Misericórdia, onde há o terminal de ônibus que será desativado dia 23, os pedestres terão uma passagem subterrânea por onde cruzarão as pistas dos carros que ligarão o Mergulhão ao Aterro do Flamengo.

Silva afirmou ainda que as últimas partes da Perimetral serão retiradas até o mês que vem. Entre as principais estruturas, restam três pilares próximos à sede da Polícia Federal e à Rodoviária Novo Rio.

sábado, 18 de outubro de 2014

Quinze empreendimentos prometem levar futuro para a Zona Portuária, uma das mais antigas do Rio


O Globo, 11/out

Há lugares no Rio que proporcionam verdadeiras viagens ao passado, como Santa Teresa. Mas um passeio pela Zona Portuária, uma das áreas mais antigas da cidades, é uma chance de ver um encontro entre o passado e o futuro. Andar por ali é como assistir a uma nova etapa da história do Rio ser desenhada. Sobre um terreno que abrigou trapiches e cais, pelo menos oito grandes empreendimentos privados, entre hotéis e prédios comerciais de arquitetura moderna e com predominância de vidros nas fachadas, estão com obras em andamento. Essas intervenções fazem parte de um grupo de 15 projetos que, de acordo com o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, gerido pela Caixa Econômica Federal (CEF), já foram negociados para a região.

As mudanças na paisagem são cada vez mais claras. Perto da Rodoviária Novo Rio, numa rua nova e ainda sem nome, fica uma das obras que mais se destacam na Zona Portuária: uma torre de concreto de 32 andares que pode ser vista da Avenida Francisco Bicalho e do Viaduto do Gasômetro. Ela abrigará dois hotéis, o Holiday Inn e o Holiday Inn Express. O empreendimento da Odebrecht Realizações Imobiliárias contará com 594 quartos, que serão colocados à venda como unidades autônomas no próximo mês, numa operação que deverá envolver R$ 300 milhões. A previsão de conclusão é 2016.

Também em novembro, começará a funcionar o primeiro edifício privado do Porto Maravilha: o Port Corporate, que já está em processo de locação dos 22 andares e salas. A primeira empresa a ocupar o endereço, a partir do mês que vem, será a Tishman Speyer, responsável pelo projeto. A mesma companhia iniciou a construção, na Via Binário, de uma torre projetada pelo badalado arquiteto inglês Norman Foster, autor da cúpula de vidro do parlamento alemão. As obras estão em fase de fundação. A Tishman ainda tem um outro terreno na região, perto do Gasômetro, onde lançará mais um empreendimento.

MAIS 20 PROJETOS EM NEGOCIAÇÃO

Os maiores projetos da Zona Portuária são viabilizados por meio de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), arrematados em leilão pela CEF em 2011. A compra desses certificados (foram emitidos 6,4 milhões) permite a construção de prédios com maior gabarito, chegando a 150 metros de altura na Avenida Francisco Bicalho.

- Hoje, temos 15 negócios firmados para o Porto, que representam um terço de todas as Cepacs disponíveis no começo da operação. Esses projetos vão resultar na construção de 1,3 milhão de metros quadrados de área privativa. E temos outros 20 empreendimentos em negociação, que vão consumir mais um terço do estoque total. O outro terço ainda está disponível - informa o gerente de fundos para o setor imobiliário da Caixa, Vitor Hugo, explicando que o estoque total equivale a um potencial construtivo de 4,5 milhões de metros quadrados.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) mapeou 123 empreendimentos previstos, sendo 51 residenciais, 38 comerciais, oito culturais, sete de hotelaria, seis institucionais e 13 de outras características. Há, nesse pacote, projetos em fase de aprovação e edifícios já em construção. Um dos maiores planos para a região, ainda em fase de aprovação, será a ocupação do do terreno do Gasômetro, uma área de um milhão de metros quadrados que abrigará prédios residenciais e comerciais, shoppings e hotéis.

Apesar da velocidade dos anúncios para a região, o ritmo dos projetos ainda é lento. A culpa, afirmam empresários envolvidos com negócios na Zona Portuária, é da retração da economia do país. Presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos diz que o mercado imobiliário deve fechar o ano com um total de vendas 30% menor que o registrado em 2013. Os investidores, ressalta ele, estão temporariamente parados, aguardando o fim do processo eleitoral.

Até agora, apenas dois empreendimentos, da Odebrecht, estão comercializados. Em três dias, em junho de 2013, foram vendidos os 450 quartos de um outro prédio que abrigará dois hotéis (das bandeiras Ibis e Novo Hotel) e as 330 salas de uma torre no complexo Porto Atlântico Leste, na Avenida Professor Pereira Reis. Os dois edifícios e um terceiro em construção no mesmo terreno ficarão prontos até o primeiro semestre de 2016. Daqui a dois meses, a Odebrecht começará as obras de mais três torres, que integrarão o Porto Atlântico Oeste.

Somente um empreendimento residencial está saindo do papel: o Porto Vida, próximo à Rodoviária Novo Rio, que foi freado pela decisão do comitê organizador dos Jogos de 2016 de tirar dali as vilas de mídia e de árbitros das Olimpíadas. O projeto e o cronograma estão sendo revistos.

Rubem Vasconcelos afirma que o tão falado boom da Zona Portuária ocorrerá a partir de 2016, com as obras de infraestrutura e do VLT prontas:

- Os projetos vão alavancar a partir das Olimpíadas. Com o palco pronto, ganharão uma velocidade maior do que a de hoje. A ocupação do Porto será um processo de dez a 15 anos.

Com o metro quadrado para espaços comerciais avaliado em R$ 15 mil (o mesmo valor de Botafogo, mas ainda abaixo dos melhores pontos do Centro, onde custa R$ 20 mil), a Zona Portuária, apostam investidores, deve atrair principalmente empresas já instaladas na cidade.

- O Porto não vai ser ocupado por novas empresas que vêm para o Rio, como se pensava lá atrás. Há uma demanda grande no Rio de empresas hoje instaladas em prédios antigos, com filas imensas nos elevadores, e que precisam se dividir em quatro ou cinco endereços - avalia Rodrigo Caldas, vice-presidente da construtora Concal, que iniciou o processo de aprovação de um empreendimento misto na Francisco Bicalho, com quatro torres.

Para Stefan Ivanov, CEO do consórcio que vai lançar as Trump Towers (ainda no papel), o Porto Maravilha ocupa um vácuo de espaços corporativos de alto padrão na cidade:

- O espaço imobiliário classe AAA no Rio representa uma parte muito pequena do mercado: menos de 10%, sendo que e o estoque corporativo está cada dia mais antigo e ultrapassado, com idade média de mais de 44 anos. Não há lugar mais lógico para esses novos empreendimentos do que o Porto.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sistema viário integrado é estratégico para as obras

Valor Econômico, Genilson Cezar, 30/set

O cronograma de construção do Porto Maravilha está em dia, informa Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP). Pelo menos 32% das obras previstas já foram executadas, com as ações em 45 frentes em diferentes pontos da região, empregando mais de seis mil trabalhadores. O prazo para término dos trabalhos está previsto para 2016, antes dos Jogos Olímpicos. O custo da ambiciosa operação urbana, que pretende transformar a região portuária do Rio de Janeiro, é estimado em R$ 8 bilhões em 15 anos.

"Nosso maior desafio é criar um espaço urbano integrado e integrador, do ponto de vista social e econômico", diz Silva. A previsão é que num prazo de 12 anos a população da região portuária carioca salte dos 30 mil moradores atuais para 100 mil pessoas.

As obras de requalificação de toda a infraestrutura urbana do Porto Maravilha, numa área de 5 milhões de metros quadrados, que inclui novas avenidas, túneis, ciclovias, um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e a melhoria de qualidade de serviços públicos de água, esgotos, iluminação, internet e telefonia é objeto de uma Parceria Público Privada. A Concessionária Porto Novo, um consórcio formado pelas construtoras OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia foi escolhido, em parceria com a CDURP e a Prefeitura do Rio para executar uma série de obras viárias e urbanas e prestar serviços por 15 anos, período iniciado em 2011 e que deve terminar em 2026.

A modelagem econômico-financeira que permitirá fazer essa transformação sem utilização de recursos públicos é uma inovação, de acordo com o presidente da CDURP. "A prefeitura emitiu 6,4 milhões de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que foram leiloados em junho de 2011 e arrematados em lote único pelo Fundo de Garantia e Tempo de Serviço (FGTS). A venda dos Cepacs, portanto, garante os recursos para as obras e serviços até 2026 na maior PPP em curso no país", afirma Silva.

A área de atuação da Porto Novo é formada por uma espécie de quadrilátero viário que inclui as quatro mais importantes avenidas do centro do Rio: Francisco Bicalho, Rodrigues Alves, Rio Branco e Presidente Vargas. É uma região de convergência por onde circulam, em média, mais de 100 mil pessoas todos os dias. A área é interconectada por importantes vias expressas, como a avenida Brasil, Linha Vermelha e Ponte Rio-Niterói. Está a poucos quilômetros do aeroporto Santos Dumont e de estações de trem e metrô. Na região operam dois terminais rodoviários e uma rodoviária. "O controle do tráfego e as reformas viárias, que fazem parte do escopo de trabalho da PPP, são estratégicos para o planejamento das obras e serviços", destaca José Renato Pontes, presidente da Concessionária Porto Novo.

Um dos principais legados das obras de requalificação da infraestrutura da antiga zona portuária, segundo Pontes, será a criação de uma moderna lógica de mobilidade urbana para a cidade do Rio de Janeiro. "A implementação de um novo sistema viário integrado, composto pelas Vias Binário do Porto e Expressa, irá ampliar em 50% o número de faixas de rolamento na Região Portuária e possibilitará várias saídas para a melhor distribuição do trânsito. O novo complexo de vias e túneis, que servirá de alternativa ao Elevado da Perimetral, começará a mudar o cenário da região portuária, resgatando esta área para a cidade", diz.

Entre as principais obras viárias em execução estão a Via Binário do Porto, que terá 3,5 km de extensão e será paralela à avenida Rodrigues Alves. Cumprirá papel importante no novo sistema viário, que é o de distribuir o trânsito no entorno do centro e entre os bairros do Porto Maravilha. Inclui o túnel da Saúde, com 70 metros, que terá duas pistas com três faixas cada e com uma pista central para a passagem do VLT. A previsão de entrega é no fim de setembro de 2013.

Já o túnel do Binário, que fará a ligação da rua Primeiro de Março à Rua Antonio Lage, terá 1.480 metros, três pistas e em único sentido, o da Rodoviária Novo Rio. Previsão de conclusão no primeiro semestre de 2014.

A Via Expressa, que substituirá a atual avenida Rodrigues Alves, conta com dois túneis paralelos com três pistas em cada sentido, em direção à avenida Brasil e ao Aeroporto Santos Dumont. O Túnel da Via Expressa permitirá a construção de um parque linear arborizado, de 44 mil metros quadrados, por onde passarão apenas Veículos Leves sobre Trilhos, pedestres e bicicletas. Deverá estar pronto em 2016. O Túnel da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) já existente que passa sob o Morro da Providência foi totalmente recuperado e alargado, reabrindo um caminho de 314 metros para a passagem do VLT.

Uma das obras de maior impacto é o VLT. "Promoverá a integração, atendendo os usuários dos diversos sistemas de transporte já existentes e distribuindo passageiros nas regiões centrais", diz Cláudio Andrade, presidente do Consórcio VLT Carioca.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Prefeitura vai assentar 2.200 famílias no Porto

O Dia, Alessandra Horta e Sthefanie Tondo, 20/set

A Prefeitura do Rio anunciou ontem a construção de pelo menos 2.200 unidades de Habitação de Interesse Social financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, na Região do Porto Maravilha. Parte dos imóveis é destinada a moradores da área que vivem em local de risco e que serão removidos por questões de segurança. 

As demais unidades poderão ser compradas preferencialmente por habitantes da região. É necessário que as famílias tenham renda composta de até três salários mínimos ou de três a seis mínimos.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, foram identificados 42 terrenos possíveis para a implementação das novas residências nos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

"Vamos desapropriar esses terrenos. A prefeitura vai comprar essas propriedades para fazer 2.200 unidades. Em média, nós vamos ter espalhados pela região empreendimentos com 200 unidades cada do Minha Casa, Minha Vida", explicou Paes.

Para isso, serão desapropriados imóveis em situação fundiária irregular, degradados ou abandonados, e unidades públicas da região.

"Vamos permitir uma habitação de interesse social, uma habitação mais qualificada, área residencial e área comercial. São imóveis privados a serem desapropriados, e também vamos reutilizar imóveis públicos da União, do estado e do município", afirmou o prefeito do Rio. 

Morador da Lapa, Cosme Nascimento, 39 anos, afirma que gostaria de viver na Região Portuária com a mulher Rose Araújo, 29, e o filho Matheus, 8. "Ter uma casa própria já seria ótimo. E o Porto está melhorando muito, e é perto de tudo. Achei bom unir estabelecimentos comerciais com residências, assim tem mais movimento", disse.

Saiba como participar do programa de habitação

Podem participar do Minha Casa, Minha Vida maiores de 18 anos, que não possuam casa própria e tenham sido beneficiados por programas de habitação do governo. Para famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 2.034), a seleção será por sorteio e a preferência é de famílias com idosos e pessoas com deficiência. O financiamento é em até dez anos e as parcelas mínimas são de R$ 25. O valor do imóvel é de R$ 75 mil.

Para as famílias com renda de três a seis salários (R$ 4.068), as inscrições estão sujeitas a análise cadastral. Não há sorteios. O prazo para pagamento é de até 30 anos e as parcelas são calculadas conforme a renda. O valor do imóvel é de R$ 190 mil. O prefeito Eduardo Paes anunciou isenção de IPTU e ITBI para os compradores de casas na região.

Interessados devem ir aos postos da Secretaria Municipal de Habitação na Praça Pio X 119, Centro, ou no Shopping Bangu, na Rua Fonseca 240, 2º andar. As inscrições podem ser feitas pelo site www.rio.rj.gov.br/web/smh. Mais informações em 2976-7434 ou 2976-7446.

PORTO MARAVILHA

REURBANIZAÇÃO 
O projeto tem como objetivo reintegrar a Região Portuária ao processo de desenvolvimento da cidade, por meio da construção de novas redes de água, esgoto e drenagem, além de mudanças viárias, implantação de ciclovias, plantio de 15 mil árvores e reurbanização de vias e calçadas. 

NOVOS SERVIÇOS 

Fazem parte do projeto a implantação de coleta seletiva de lixo e a instalação de bicicletários, entre outros. Além disso, estão previstas as instalações de creches, UPAs, escolas, integração entre diversos modais de transporte e geração de empregos, políticas voltadas para população que deve mudar para a região. 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO 

Também haverá implantação de projetos culturais, como o Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, e Museu do Amanhã, no Píer Mauá. Serão preservados ainda pontos históricos, como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso e o Centro Cultural José Bonifácio, entre outros. 

SERVIDORES APRESENTAM DOCUMENTOS 

Os primeiros 500 servidores classificados no sorteio promovido pelo Previ-Rio, para definição da ordem de preferência na escolha dos apartamentos do Porto Vida Residencial, devem entregar, entre os próximos dias 23 e 25, os documentos para análise de crédito do financiamento. A etapa será das 9h às 18h, no Clube do Servidor, na Cidade Nova.

A lista dos funcionários que precisam se apresentar está no site www.rio.rj.gov.br/web/previrio. Conforme a Coluna do Servidor do DIA antecipou, os imóveis serão financiados 100% pela Caixa Econômica Federal, com valores entre R$ 420 mil a R$ 590 mil. A prestação ficará entre R$3.712,89 e R$ 5.891,71. Será necessário levar identidade, CPF, comprovante de renda, residência e demais documentos de todos os compradores. Veja lista no site do Previ-Rio.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os túneis subterrâneos da Região Portuária

O Dia, Informe do Dia, 19/set

Já dá para atravessar 1.480 metros do túnel entre a Praça Mauá e a Rua Primeiro de Março que fará parte da Avenida Binário, na Região Portuária. Outro túnel, com 2.570 metros de extensão e três pistas em cada sentido, ligará o Mergulhão da Praça 15 à Gamboa e integrará a Via Expressa, que receberá os carros que hoje usam a Perimetral. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Porto terá dois mil imóveis



Extra, 13/set

Eduardo Paes quer aumentar o número de moradias na área do Porto Maravilha, no Centro. Segundo o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cedurp), Alberto Gomes Silva, o prefeito encomendou ao órgão, à Secretaria de Urbanismo e ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade um estudo para incentivar a construção de residências na região.

Embora ainda não haja uma data prevista, o anúncio das moradias deverá ser feito até o fim do ano. O projeto prevê, pelo menos, dois mil imóveis enquadrados no programa de habitação popular do governo federal "Minha casa, minha vida", voltados para a Faixa 1, que engloba famílias com renda de zero a três salários mínimos (até R$ 2.034) . A informação foi publicada, ontem, pelo ¨colunista Fernando Molica, do jornal "O Dia".

- Vamos atender à população da região, que mora de aluguel social ou em condições precárias, e moradores de outras áreas que têm interesse em morar no Centro - diz Alberto Gomes.
Empresas que investirem em moradias na região poderão receber isenção ou anistia de impostos:

- No caso dos incentivos, provavelmente vai ser um projeto de lei. Vai demorar um pouco, pois envolverá outros órgãos - explica Alberto.
Caberá às empresas decidir a quem serão destinados os demais imóveis na área - não incluídos no "Minha casa, minha vida".

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Prefeitura é autorizada a desapropriar 14 imóveis na Região Portuária

O Globo, 12/set

A Prefeitura do Rio foi autorizada a desapropriar 14 imóveis na Região Portuária do Rio. O decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff foi publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União. No texto foi definido que o destino dos terrenos será a revitalização e urbanização da área. O decreto também define que a prefeitura deverá arcar com os custos das desapropriações. Entre os imóveis, há diversos galpões abandonados, grêmios de escolas de samba e uma ocupação, o "Quilombo das Guerreiras", que está no prédio da Companhia Docas do Rio de Janeiro, há cerca de sete anos.

A Zona Portuária será a porta de entrada de negócios do bilionário americano Donald Trump no Brasil. Em dezembro passado, o filho mais velho do executivo, Donald Trump Jr, anunciou uma parceria com investidores privados e a Caixa Econômica Federal para a construção de cinco torres comerciais, com 38 andares cada, na Avenida Francisco Bicalho. As duas primeiras Trump Towers estão previstas para começarem a ser erguidas ainda neste semestres com previsão de conclusão até os Jogos Olímpicos de 2016. As outras três torres serão construídas conforme a demanda do mercado.

A proposta de construir as Trump Towers dividiu opiniões entre arquitetos. Para Alfredo Brito, construções envidraçadas como as Torres Trump são um símbolo da falta de criatividade. A arquiteta Gizzeli Gomes Rocha, no entanto, da equipe brasileira que desenvolve o projeto, lembrou que existem muitos prédios modernistas no Rio que são envidraçados. Segundo ela, assim como os exemplares modernistas, as torres terão "brise-soleils" (dispositivos arquitetônicos que impedem a incidência direta de raios solares, reduzindo o calor).

As desapropriações

Para a revitalização e urbanização da Zona Portuária, serão desapropriados o número 49 da Avenida Francisco Bicalho (onde há uma ocupação); os números 194 a 224 e 232 a 264 da Avenida Venezuela; 129 (fundos)da Avenida Rodrigues Alves; 112 (fundos), 80 ao 108, 296 e 300 da Rua Equador; 76 da Avenida Professor Pereira Reis; 733, 743 a 789 e 837 a 843 da Avenida Rodrigues Alves; 20 da Rua Silvino Montenegro; e 50 da Rua General Luiz Mendes de Moraes.