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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

É a hora de a frente marítima da Praça Quinze e da Região Portuária aparecer

O Globo, 11/dez

A vista do Centro e do Porto para a Baía, escondida desde os anos 1960, está totalmente livre com a derrubada, ontem, dos dois últimos pilares da Perimetral. Com o fim definitivo da Perimetral, é a hora de a frente marítima da Praça Quinze e da Região Portuária aparecer. Ao concluir ontem a retirada dos dois últimos pilares, na altura do 1º Distrito Naval, a concessionária Porto Novo deu por encerrado o processo de derrubada dos 4.750 metros do elevado, liberando totalmente a visão de um pedaço do Rio que estava oculto desde a década de 1960. Prédios históricos e belos já podem ser apreciados, não importa se o admirador está na Baía de Guanabara ou em terra firme. Agora, o trabalho de mudança de paisagem se concentra na construção de um passeio público, com três quilômetros de áreas verdes e de lazer, da Praça Quinze ao Armazém Oito.

O futuro boulevard dará, inclusive, acesso a espaços pouco conhecidos. É o caso, por exemplo, do charmoso calçadão que será implantado em frente ao 1º Distrito Naval. E, para que pedestres e ciclistas não precisem interromper a caminhada, será criada uma passarela sob a ponte que leva até a Ilha das Cobras - de acesso restrito da Marinha. Em formato de bumerangue, a estrutura terá cerca de 90 metros de extensão.

- Os transtornos têm sido grandes. Sem a Perimetral e com tantas obras, tenho enfrentado engarrafamento quase todos os dias. Mas, quando se vê essa nova paisagem e se pensa no futuro, entendo que vale a pena ter paciência por um tempo - avalia o contador Nilson Pereira, morador de Niterói, que trabalha no Rio.

Para a vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Cêça Guimaraens, o fim definitivo da Perimetral traz benefícios à região, principalmente nas áreas arquitetônica e urbanística. - A derrubada do elevado devolve a imagem da orla da Baía de Guanabara a moradores e frequentadores do local. A Perimetral impedia a visão da baía, o que era lamentável. Ela segregava a faixa da orla, separando a cidade construída da água - diz ela, que faz parte do conselho consultivo do patrimônio cultural do Iphan. Cêça enfatiza a importância do mar para o Rio: - Na dimensão urbanística, o fim do elevado é de um valor ímpar, pois dá continuidade do uso da orla, desde o Aterro do Flamengo, passando pela Praça Quinze e pela Praça Mauá até chegar à Avenida Francisco Bicalho. Em termos de arquitetura, vamos usufruir muito mais da visão da Candelária, por exemplo, sem falar nas edificações pré-modernistas e ecléticas localizadas na Zona Portuária.

Nas contas da Porto Novo, foram abaixo 85 mil toneladas de estrutura em concreto armado, sendo 4.420 de aço. As 820 vigas e os 135 pilares do elevado, portanto, passaram a fazer parte do passado.

- Como os dois últimos pilares estavam muito próximos à Baía de Guanabara e a um pórtico da Marinha, que é preservado, tivemos que usar um método especial para cortar o concreto. Em vez de um rompedor hidráulico, utilizamos fio diamantado. Isso para que não houvesse queda de fragmentos - explica José Renato Ponte, presidente da Porto Novo, responsável pelas obras de revitalização da Região Portuária. - O trabalho também foi feito fora do expediente, à noite e de madrugada, para não atrapalhar o funcionamento da Marinha.

OBRAS DO PASSEIO VÃO COMEÇAR NA PRAÇA QUINZE

Para José Renato, a demolição da Perimetral foi dos maiores desafios das obras do Porto Maravilha. Mais de 500 funcionários participaram da operação, que envolveu duas grandes implosões, a primeira delas - o trecho que ia da Avenida Pereira Reis à Rua Silvino Montenegro - há pouco mais de um ano. A segunda implosão ocorreu em abril deste ano, no trecho entre os prédios da Polícia Federal e do 1º Distrito Naval. O processo, no entanto, começou em outubro de 2012, com a remoção da primeira rampa do elevado, na altura da Avenida Barão de Tefé.

Alberto Gomes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), gestora da prefeitura na Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha, também fala em desafios:

- A conclusão da remoção da Perimetral marca o fim de uma fase cujo desafio foi muito mais a quebra de paradigma do desenvolvimento urbano da cidade do que de engenharia. Agora, durante a remoção, já iniciamos a segunda etapa da operação, que é refazer a infraestrutura e a urbanização de toda essa frente marítima da cidade. O processo muda em definitivo o padrão de mobilidade urbana do Centro.

Em relação a dois vãos do elevado junto à Rodoviária Novo Rio, o presidente da concessionária Porto Novo diz que eles não fazem parte do projeto inicial do Porto Maravilha:

- Estão sendo feitos estudos que vão dizer se eles permanecem ou não. Eles só serão retirados se for constatado que será melhor para o trânsito.

Já as obras de reurbanização estão em andamento no trecho do boulevard em frente ao futuro Museu do Amanhã, na Praça Mauá. E, em breve, começarão na área junto ao Museu Histórico Nacional, na Praça Quinze, diz o presidente da Porto Novo.

José Renato confirmou que as obras do Porto Maravilha estarão prontas a tempo das Olimpíadas. A Via Binário - que ligará a Região Portuária ao Centro - deverá estar totalmente concluída no fim deste ano. Paralela à Via Binário e no lugar da Perimetral, a Via Expressa, que vai ligar o Aterro à Rodoviária Novo Rio, ficará para 2016.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Região portuária do Rio poderá ter 100 mil moradores em duas décadas

Jornal do Commercio online, 07/nov

O número de moradores na região portuária do Rio poderá mais que triplicar em duas décadas, saltando dos atuais 28 mil habitantes para cerca de 100 mil. Para isso, o sistema viário, por exemplo, está sendo totalmente reformulado. Uma das ações mais polêmicas é a derrubada do Elevado da Perimetral, viaduto com 4 quilômetros de extensão, fazendo a ligação da Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói com o centro e a zona sul. O início da demolição está marcado para o dia 2 de novembro.

A estimativa para a ocupação da região é do diretor presidente da Concessionária Porto Novo, José Renato Ponte, que vistoriou sexta-feira (25) as obras dos túneis que estão sendo construídos na área, acompanhado pela imprensa. "O que existe de previsão de potencial de construção é cerca de 4,5 milhões de metros quadrados. A gente imagina que, em um prazo de 15 ou 20 anos, tenham 100 mil pessoas, sendo que hoje existem 28 a 30 mil pessoas morando na região", disse Ponte.

A região portuária do Rio foi próspera até meados do século passado, quando começou a entrar em declínio, e hoje é formada por muitos armazéns abandonados e casas antigas, muitas em estado de ruína. O Projeto Porto Maravilha, concebido pela prefeitura do Rio, com apoio do governo federal, se propõe a reverter, em poucos anos, essa situação de abandono.

Para absorver o tráfego pesado de veículos que utilizam o Elevado da Petrimetral, foi construída uma pista interna, chamada de Via Binário do Porto, com 3,5 quilômetros, incluindo dois túneis: um com 80 metros e outro com 1.480 metros. A Avenida Rodrigues Alves, que corre paralelamente ao cais do porto, sob o elevado, será parcialmente substituída por um outro túnel, com 2.570 metros, que fará parte da Via Expressa, prevista para ser entregue em 2016. Com isso, a superfície será transformada em um grande calçadão arborizado, resgatando o contato da população com o porto e o mar.

O diretor presidente da Concessionária Porto Novo garantiu que os novos túneis, que passarão a até 46 metros de profundidade, muito abaixo do nível do mar, não correrão risco de sofrerem alagamentos com eventuais chuvas fortes, o que provocaria o caos no trânsito da região central, pois terão sistemas automáticos de bombeamento e drenagem.

"Nós estamos usando todas as tecnologias e as normas mais seguras para que as pessoas possam transitar pelos túneis. Então, todos os sistemas de drenagem, de segurança e de supervisão têm redundâncias extremas, não há o menor risco [de inundar]. É risco zero de alagamento", afirmou.

Além das pistas para carros, está prevista uma malha de 28 quilômetros, por onde passarão os chamados veículos leves sobre trilhos (VLTs), que terão 42 pontos de embarque e desembarque, com capacidade para absorver até 300 mil passageiros/dia, fazendo a conexão do centro e da região portuária com o Aeroporto Santos Dumont.

Os investimentos que estão sendo feitos em infraestrutura, obras e serviços na região portuária chegam a R$ 7,6 bilhões que serão aplicados durante 15 anos. Os recursos, segundo Ponte, não vêm do Tesouro nem da prefeitura, mas de certificados de construção que foram comercializados com a iniciativa privada, em troca de permissão para aumentar o tamanho dos imóveis.

A área concedida tem 5 milhões de metros quadrados. Nesta área, a prefeitura destacou uma de 1 milhão de metros quadrados, onde hoje estão armazéns abandonados, criando um potencial adicional de construção, permitindo que novos empreendimentos sejam desenvolvidos. Para construir esse adicional, é necessário adquirir a outorga, através dos títulos chamados Cepacs [Certificado de Potencial Adicional de Construção]. A indústria imobiliária, para construir, adquire o Cepac. E tudo o que está sendo feito aqui é custeado com os recursos arrecadados com a venda dos Cepacs. Não existe nenhum recurso, nesta área de 5 milhões de metros quadrados, que venha do Tesouro ou dos cofres da prefeitura", garantiu Ponte.

O diretor presidente da Concessionária Porto Novo disse que a construção de imóveis na região está apontando para um equilíbrio de 50% de unidades comerciais, principalmente escritórios, e 50% de unidades habitacionais, o que será uma garantia de que a área será permanentemente ocupada por moradias, ao contrário do centro antigo, que é quase totalmente ocupado só por empresas. (ABr)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Prefeitura vai assentar 2.200 famílias no Porto

O Dia, Alessandra Horta e Sthefanie Tondo, 20/set

A Prefeitura do Rio anunciou ontem a construção de pelo menos 2.200 unidades de Habitação de Interesse Social financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, na Região do Porto Maravilha. Parte dos imóveis é destinada a moradores da área que vivem em local de risco e que serão removidos por questões de segurança. 

As demais unidades poderão ser compradas preferencialmente por habitantes da região. É necessário que as famílias tenham renda composta de até três salários mínimos ou de três a seis mínimos.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, foram identificados 42 terrenos possíveis para a implementação das novas residências nos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

"Vamos desapropriar esses terrenos. A prefeitura vai comprar essas propriedades para fazer 2.200 unidades. Em média, nós vamos ter espalhados pela região empreendimentos com 200 unidades cada do Minha Casa, Minha Vida", explicou Paes.

Para isso, serão desapropriados imóveis em situação fundiária irregular, degradados ou abandonados, e unidades públicas da região.

"Vamos permitir uma habitação de interesse social, uma habitação mais qualificada, área residencial e área comercial. São imóveis privados a serem desapropriados, e também vamos reutilizar imóveis públicos da União, do estado e do município", afirmou o prefeito do Rio. 

Morador da Lapa, Cosme Nascimento, 39 anos, afirma que gostaria de viver na Região Portuária com a mulher Rose Araújo, 29, e o filho Matheus, 8. "Ter uma casa própria já seria ótimo. E o Porto está melhorando muito, e é perto de tudo. Achei bom unir estabelecimentos comerciais com residências, assim tem mais movimento", disse.

Saiba como participar do programa de habitação

Podem participar do Minha Casa, Minha Vida maiores de 18 anos, que não possuam casa própria e tenham sido beneficiados por programas de habitação do governo. Para famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 2.034), a seleção será por sorteio e a preferência é de famílias com idosos e pessoas com deficiência. O financiamento é em até dez anos e as parcelas mínimas são de R$ 25. O valor do imóvel é de R$ 75 mil.

Para as famílias com renda de três a seis salários (R$ 4.068), as inscrições estão sujeitas a análise cadastral. Não há sorteios. O prazo para pagamento é de até 30 anos e as parcelas são calculadas conforme a renda. O valor do imóvel é de R$ 190 mil. O prefeito Eduardo Paes anunciou isenção de IPTU e ITBI para os compradores de casas na região.

Interessados devem ir aos postos da Secretaria Municipal de Habitação na Praça Pio X 119, Centro, ou no Shopping Bangu, na Rua Fonseca 240, 2º andar. As inscrições podem ser feitas pelo site www.rio.rj.gov.br/web/smh. Mais informações em 2976-7434 ou 2976-7446.

PORTO MARAVILHA

REURBANIZAÇÃO 
O projeto tem como objetivo reintegrar a Região Portuária ao processo de desenvolvimento da cidade, por meio da construção de novas redes de água, esgoto e drenagem, além de mudanças viárias, implantação de ciclovias, plantio de 15 mil árvores e reurbanização de vias e calçadas. 

NOVOS SERVIÇOS 

Fazem parte do projeto a implantação de coleta seletiva de lixo e a instalação de bicicletários, entre outros. Além disso, estão previstas as instalações de creches, UPAs, escolas, integração entre diversos modais de transporte e geração de empregos, políticas voltadas para população que deve mudar para a região. 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO 

Também haverá implantação de projetos culturais, como o Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, e Museu do Amanhã, no Píer Mauá. Serão preservados ainda pontos históricos, como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso e o Centro Cultural José Bonifácio, entre outros. 

SERVIDORES APRESENTAM DOCUMENTOS 

Os primeiros 500 servidores classificados no sorteio promovido pelo Previ-Rio, para definição da ordem de preferência na escolha dos apartamentos do Porto Vida Residencial, devem entregar, entre os próximos dias 23 e 25, os documentos para análise de crédito do financiamento. A etapa será das 9h às 18h, no Clube do Servidor, na Cidade Nova.

A lista dos funcionários que precisam se apresentar está no site www.rio.rj.gov.br/web/previrio. Conforme a Coluna do Servidor do DIA antecipou, os imóveis serão financiados 100% pela Caixa Econômica Federal, com valores entre R$ 420 mil a R$ 590 mil. A prestação ficará entre R$3.712,89 e R$ 5.891,71. Será necessário levar identidade, CPF, comprovante de renda, residência e demais documentos de todos os compradores. Veja lista no site do Previ-Rio.